|
OCULTISTAS FAMOSOS
![]() Séon
de Salomão - (O Grande Símbolo de Salomão, gravura
de Éliphas Lévi, Magia Transcendental, edição
de 1896)
Éliphas
Lévi - Parte II
Lévi,
tinha uma visão dualista do cosmo. Todas
as manifestações do mundo visível, fossem qual fossem, mesmo
sem qualquer nexo aparente, eram, apenas e tão somente, a conseqüencia
visível
de um eterno jogo, cujos elementos resultavam da interação
de polaridades: luz e trevas, mente e matéria, o bem e o mal, o
objetivo e o subjetivo.Como símbolo desta idéia, ele desenhou
esta curiosa versão antropomórfica do "Seon de Salomão,
hexagrama através do qual, Salomão, conforme reza a lenda
judaica, podia controlar as legiões de demônios que mantinha a seu
serviço.
Fascinado
também pelas
idéias do polonês Wronski,
Éliphas Lévi mergulhou de modo obsessivo no estudo de todas as
ciências ocultas: alquimia, quiromancia,fisiognomia, cartomancia,magia
ritual, feitiçaria pura e simples, astrologia e quejandos. Mas sua busca não parou por aí: perdeu horas e horas do seu tempo em companhia de" videntes", "adivinhos"," magos" "profetas" e desocupados amalucados de todo tipo, sempre na esperança de extrair alguma sabedoria dessas longas (e na maioria das vezes inúteis) conversas. Uma das conclusões a que chegou, depois de toda essa pesquisa, foi a de que os antigos textos de alquimia e magia haviam sido escritos num código simbólico, e, que se conseguisse decifrá-lo, desvendaria os segredos fundamentais do Universo. Com isso, ele se tornaria o guardião de verdades espirituais muito mais importantes do que as descobertas e interpretações de seu mestre Wronski.
Experiência Sobrenatural - Apolônio de Tiana
Wronski morreu em 1853 e, embora
lamentando o desaparecimento do amigo que lhe abrira os olhos para
o ocultismo, Lévi não ficou tão
profundamente abalado assim.... Nessa época, achava que já tinha
superado o Mestre e sentia-se pronto para receber grandes revelações
espirituais. Em 1854, um ano após a morte de Wronski, Éliphas
viajou à Londres,
onde se encontrou com inúmeros ocultistas ingleses, que lhe
pediram revelações e prodígios. Longe de querer
(ou poder) iniciá-los na magia cerimonial, isolou-se no estudo
da Alta Cabala. Um ano mais tarde, considerou que suas pesquisas haviam avançado o suficiente para que pudesse realizar um experimento mágico de verdade, neste caso, fazer com que o espírito de Apolônio de Tiana, filósofo e taumaturgo do século I, se manifestasse de forma visível. Segundo relato do próprio Lévi, o ritual de evocação foi precedido por três semanas de preparação e purificaçào, durante as quais ele se alimentou apenas frugalmente, isolou-se e absteve-se do sexo.Enquanto se preparava, tratou de entabular longas conversas imaginárias com o sábio em questão...Resumindo, Lévi "impregnou-se" de Apolônio até à medula.... Terminado o período probatório e preparatório, envergou seu traje cerimonial branco, colocou na cabeça uma tiara de verbena entrelaçada a uma corrente dourada, e deu início à cerimônia, queimando pedaços de carvão vegetal colocados em dois pratos de cobre. Em seguida, queimou vários tipos de incenso, pois a espessa fumaça era necessária a fim de que o espírito do filósofo pudesse "criar um suporte material" para se manifestar. Como ele próprio conta, ao começar a recitar as palavras mágicas do ritual “a fumaça se dispersou, flutuando acima do altar. Coloquei então, mais carvão e perfume nos pratos incandescentes e em seguida, na frente do altar, distingui claramente a figura de um homem de estatura acima da média, envolto da cabeça aos pés numa mortalha. Senti um frio extraordinário e, quando tentei falar com o espírito, nenhum som saiu-me da boca. Apontei então minha espada mágica para a figura e ordenei-lhe, em pensamento, que me obedecesse. O fantasma tornou-se difuso e desapareceu de repente. Quando ordenei que retornasse, percebi alguém respirando a meu lado e alguma coisa tocou-me a mão com que eu segurava a espada. No mesmo instante, meu braço paralisou-se e conclui que, por alguma razão, a espada desagradava ao espírito e voltei sua ponta para o chão, perto de mim e já no interior do círculo. Senti uma grande fraqueza em todos os membros do corpo, e uma sensação de que iria perder os sentidos tomou conta de mim, obrigando-me a sentar. Cai em profunda letargia, embora, povoada por sonhos, mas dos quais tive apenas uma lembrança confusa, quando recobrei a consciência." Lévi planejara fazer duas perguntas ao espírito, uma em nome de certo amigo e outra em seu próprio. Embora o espírito de Apolônio não lhe tivesse dirigido a palavra, as respostas às duas questões vieram-lhe à mente. Para o amigo interessado na saúde de alguém, a resposta foi "morte". Para a sua própria pergunta (não registrada), o vaticínio também não foi nada agradável. Talvez Aplônio não simpatizasse com Lévi... Nos dias seguintes, Lévi ainda conseguiu que Apolônio se manifestasse mais duas vezes. Em cada uma delas, o sábio tornou-se visível e transmitiu-lhe ensinamentos profundos em resposta às suas questões filosóficas, igualmente complexas. Talvez em função de critérios esotéricos ocultos, a formulação exata das perguntas e respostas não foi registrada por Lévi, tornando-se impossível avaliar a veracidade de suas alegações. Uma delas é a de que Apolônio lhe teria transmitido segredos de tal ordem, que poderiam mudar, em pouco tempo, os fundamentos e as leis da sociedade em geral, caso fossem do conhecimento de todos. Por outro lado, Lévi desaconselha a seus leitores experiências semelhantes:" Considero esse tipo de experiência destrutivo e perigoso. Recomendo o maior cuidado àqueles que decidirem realizá-las, pois provocam enorme esgotamento físico e mental e, muitas vezes, um choque capaz de desequilibrar para sempre a saúde do indivíduo. Sobretudo se o curioso em questão for de indole superficial ou pessoa espiritual e psicologicamente despreparada, ultrapassar os limites da razão pode se revelar uma experiência insuportável." E fatal... ©Sister Tweety
|