ALEISTER
CROWLEY - ALGUMAS REFERÊNCIAS -VI
OBSERVAÇÕES
SOBRE SL MCGREGOR MATHERS E A GOLDEN DAWN:
À loja londrina da Golden Dawn, cuja estrutura, naturalmente, era
maçônica e rosacruciana, foi dado um belo e significativo nome: “Templo
de Isis-Urânia da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado” e
nos primeiros anos, seus membros ativeram-se aos rituais iniciáticos
para a introdução de novos confrades e ao estudo de textos
ocultistas arcaicos, sem se descuidar, no entanto, do vasto repertório
de sinais, apertões, graus e senhas, que costumam caracterizar qualquer
sociedade secreta, de qualquer época e em qualquer lugar. No mais,
a coisa toda lembrava uma versão modificada das sessões de
espiritismo, em voga na Inglaterra vitoriana, usando “pêndulos” e “discos”,
que combinados, acabavam chegando, mais ou menos, aos resultados de uma “mesa” espírita.
Entretanto, o grupo recém criado se ocupava também (entre outras
atividades mais secretas) em estudar a Cabala e o Tarô.
A
orientação da “Golden Dawn, apoiava-se pesadamente
na alquimia e na gnose cristã, naturalmente, sob influência
das teorias de Lévi e Papus, bem como dos escritos de Fracis
Barrett (“Magus”) e do ocultista elisabetano, John
Dee, Como seria natural,
eles se abeberaram também em dezenas de outras fontes, por exemplo,
nos ensinamentos dos protomagos, preservados pela Tradição
ou nas obras dos velhos magistas medievos e renascentistas.
S.
L. McGregor Mathers, um dos fundadores da Ordem, foi um homem inteligente
e engenhoso, na verdade
um gênio sincrético. Ele trabalhou sobre
todo este vasto material e o reformulou, acrescentando ainda um interessante
sistema de cores, parece que tomado de empréstimo ao tantrismo. Aos
três princípios da doutrina de Lévi (vontade humana,
luz astral e lei das correspondências), acrescentou um quarto: a “imaginação
mágica”, sem a qual, a “vontade humana” perderia
parte da sua eficácia. Aliás, em se tratando de magia, para
a obtenção de melhores resultados, a “imaginação
mágica” sempre deveria preceder a “vontade humana”.
Mathers,
sempre declarou receber, por clarividência, conselho e orientação
de um grupo super-humano, ao qual se referia como os “Superiores Invisíveis” e
afirmava ter contato pessoal com esses misteriosos “super-homens”.
Em se falando de Mathers , seria oportuno acrescentar que na altura da fundação
da Golden Dawn ele procurou unir forças à Sociedade do Vril
e à Sociedade Thule, fatos que mesmo se não tomados isoladamente,
poderão fornecer uma imagem razoável sobre a ideologia da Ordem
e do próprio Mathers.
Muito
antes que as afirmações delirantes de Hitler tomassem
forma, McGregor Mathers, nos últimos anos do século XIX e em
manifesto público afirmou o seguinte:
“
Com referência a estes Chefes Secretos, dos quais recebi a sabedoria
da Segunda Ordem, nada posso adiantar-vos. Ignoro seus nomes e raramente
os vi em seus corpos físicos. Sempre que os encontrei (fisicamente),
isso aconteceu em datas e locais, previamente, acertados. Na minha opinião,
trata-se de seres que vivem aqui na Terra, embora possuam poderes terríveis
e sobre-humanos. Minhas relações com eles me esclareceram como é difícil
para um mortal, por mais avançado que seja, suportar a sua presença.
Não quero afirmar com isso, que esses raros encontros me tenham deixado
fisicamente deprimido, mas só posso compará-los ao efeito causado
por um relâmpago, durante uma violenta tempestade. A esta sensação
se soma grande dificuldade para respirar; e a prostração nervosa
a seguir, vem acompanhada por sudorese fria e perda de sangue pelo nariz,
pela boca e, algumas vezes, pelos ouvidos.”
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