ALEISTER
CROWLEY - ALGUMAS REFERÊNCIAS -I
Edward Alexander Crowley ou “Aleister Crowley”,
como se tornou conhecido mais tarde, nasceu de família puritana e
imersa no fundamentalismo cristão da seita conhecida como “Irmãos
de Plymouth”.
Dotado de inteligência viva, mente inquisitiva e imaginação
fértil, o menino logo se viu tolhido pelos princípios rígidos
da intolerância religiosa e tamanha oposição acabou gerando
nele irreprimível aversão ao cristianismo.
Talvez como contraponto, esta situação tenha ajudado a fazer
dele o rebelde contestador que conhecemos, sempre disposto a romper com tradições
que o aprisionassem. E fez isso de maneira sui generis.. Mago ou não,
desde cedo Crowley envolveu-se em situações nada ortodoxas,
bem pouco usuais para os moldes de sua época (e o seriam até para
os padrões de hoje) e se viu envolvido em um sem número de
fragorosos escândalos. Escândalos que, aliás, jamais o
abalaram, pois desde cedo compreendeu o valor da publicidade. Principalmente
a gratuita...
E
falava-se muito dele: “Insaciável atleta bissexual”, “proxeneta,
que vivia dos lucros imorais de suas mulheres e amantes”, “satanista”, “pornográfico” (por
conta de alguns de seus escritos), “traidor da Pátria” (na
guerra de 1914-1918) e “toxicômano, que consumia diariamente
doses de heroína capazes de matar um cavalo”.
Com certeza , foi mesmo um pouco disso tudo, principalmente quando
se leva em conta seu gosto pelo dramático e suas habilidades teatrais,
dirigidas para a autopromoção... Entretanto, seus biógrafos
jamais deixam de ressaltar que, ao lado disso, havia aspectos de sua personalidade
francamente notáveis. Era capaz, por exemplo, de prestar grandes favores
sem esperar qualquer tipo de recompensa.Virtude rara...
Ao
contar vinte e anos poucos, Crowley ingressou na fraternidade ocultista “The
Golden Dawn” ou "Aurora Dourada", uma sociedade secreta relativamente recente,
fundada em Londres, em 1888, mas que daria grande impulso ao ressurgimento
da Magia Ocidental. O grupo ocupava-se (entre outras atividades) em estudar
a Cabala e o Tarô.
Seria
interessante ressaltar que, na Inglaterra do século XIX, as sociedades secretas despertavam muito
interesse e curiosidade entre as pessoas pertencentes às classes sociais mais
elevadas e exercia enorme fascínio sobre elas. Assim, não eram raros os aristocratas
ricos ou os intelectuais que costumavam se filiar a este tipo de ordem. Foi
o caso do grande poeta W.Yeats, mais tarde, um dos seus dirigentes.
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